Constelacões Familiares

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28 de outubro de 2017, das 9h às 18h


As Constelações Familiares acontecem na Ponte do Arco-íris duas vezes ao ano. Inscrições abertas.

COM MARIA IZABEL RODRIGUES

Maria Izabel, que aplica o método na Ponte do Arco-íris duas vezes ao ano, explica que as ordens do amor são forças dinâmicas e articuladas que atuam em nossas famílias e relacionamentos íntimos. “Conseguimos perceber a desordem dessas forças sob a forma de sofrimento e doença. Em contrapartida, percebemos seu fluxo harmonioso como uma sensação de estar bem no mundo.”, completa.

COMO PARTICIPAR

Este trabalho é desenvolvido em grupo. Você pode participar como:

– Cliente, que escolhe constelar trazendo um tema pessoal para ser trabalhado, orientado pelo constelador.
– Participante, que coopera em representar determinados papéis escolhidos pelo cliente para desenvolvimento

NA PRÁTICA

Na prática, a Constelação Familiar consiste em um método no qual o cliente apresenta um tema de trabalho e, em seguida, o terapeuta solicita informações factuais sobre a vida de membros de sua família, como número de filhos ou irmãos, casamentos anteriores, mortes precoces, suicídios, assassinatos, doenças graves, entre outros. Com base nessas informações, o cliente é orientado a escolher entre outros membros do grupo, de preferência estranhos à sua história, para representar seus pais, irmãos, a si mesmo e outros membros importantes da família, de acordo com a percepção do terapeuta. Também são representados membros da família que já morreram. De forma espontânea e centrada, o cliente posiciona, intuitivamente, cada representante na área de trabalho.

Os representantes em seus respectivos lugares, captam as relações desse sistema e dão vazão aos sentimentos das pessoas por elas representadas. Esse efeito é ainda um fenômeno inexplicável. Em seguida, guiado pelas reações desses representantes, pelo conhecimento das “ordens do amor” e pela sua conexão com o sistema familiar do cliente, o terapeuta conduz, quando possível, os representantes até uma imagem de solução onde todos os representantes tenham um lugar e se sintam bem dentro do sistema familiar. Durante o trabalho prático com constelações, o terapeuta aprende a confiar nesse fenômeno e a deixar-se levar por ele.

O método de constelações apresenta uma vasta gama de aplicações práticas devido aos seus efeitos esclarecedores no campo das relações humanas, como melhorias de relações familiares, interpessoais nas empresas e no ambiente educacional. Essas aplicações deram início a abordagens derivadas, denominadas de Constelações Familiares, Constelações Organizacionais e Pedagogia Sistêmica.

OBSERVAÇÕES

Durante o trabalho prático de Constelações Familiares, a terapeuta atua nesse fenômeno e deixa se levar por ele. O que é difícil explicar com palavras, acontece diante de nós, transformando e alinhando o invisível que nos emperra. Vale a experiência tanto pra quem constela, quanto pra quem participa. Acredite: nada é por acaso.

O MÉTODO

As Constelações Familiares constituem-se de um método sistêmico, criado pelo terapeuta alemão Bert Hellinger a partir de observações empíricas fundamentadas em diversas formas de psicoterapia familiar. Hellinger percebeu que muitos padrões de comportamento se repetem em grupos familiares ao longo de gerações, reconhecendo que, muitos dos problemas que vivemos no presente estão ligados às histórias e vivências de nossos ancestrais.

Hellinger deparou-se com um fenômeno descortinado pela psicoterapeuta americana Virginia Satir nos anos 70 e o seu método das “esculturas familiares”. Este método consistia em que uma pessoa estranha, ao ser convocada a representar um membro da família, passava a sentir-se exatamente como a pessoa a qual representava, às vezes reproduzindo, de forma exata, sintomas físicos dessa pessoa, mesmo sem saber nada a respeito dela.

De posse de detalhadas observações sobre esse fenômeno, Hellinger adquiriu experiência e, baseado ainda na técnica descrita por Eric Berne e aprimorada por sua seguidora Fanita English de “análise de histórias”, descobriu que muitos problemas, dificuldades e mesmo doenças de seus clientes estavam ligados a destinos de membros anteriores de seu grupo familiar.
Hellinger descobriu também alguns pontos esclarecedores sobre a dinâmica da sensação de “consciência leve” e  “consciência pesada”, propondo então uma “consciência de clã” (por ele também chamada de “alma”- no sentido de algo que dá movimento, que “anima”), que se norteia por “ordens” arcaicas simples, denominadas de “ordens do amor”, e demonstrou a forma como essa consciência nos enreda, inconscientemente, na repetição do destino de outros membros do grupo familiar. Essas ordens do amor referem-se a três princípios norteadores: o primeiro é a necessidade de pertencer ao grupo ou clã, o segundo a necessidade de equilíbrio entre o dar e o receber nos relacionamentos e, o terceiro e último, a necessidade de hierarquia dentro do grupo ou clã.

O objetivo da Constelação Familiar é desfazer esses emaranhados sistêmicos e, com isso descobrir novas percepções dos acontecimentos. “Através de atitudes como respeito, aceitação, responsabilidade, reverência e inclusão, é possível estabelecer uma nova ordem no sistema familiar, de forma que a vida, o amor e a saúde voltem a fluir entre as pessoas”, explica Maria Izabel Rodrigues, psicóloga, psicoterapeuta e consultora organizacional com especialização em psicodrama, psicologia do trabalho e psicologia sistêmica.

ÁUDIO EXPLICATIVO

Maria Izabel explica o que é o método sistêmico criado por Bert Hellinger e como ele funciona.

TEXTO TRANSCRITO DO ÁUDIO

O texto abaixo foi transcrito do áudio captado da explicação de Maria Izabel Rodrigues em nosso último workshop de Constelações Familiares, que aconteceu na Ponte do Arco-íris, no começo deste ano.

As constelações consistem em um método terapêutico, chamado de método sistêmico fenomenológico. Bert Helinger, seu criador, inicialmente não era terapeuta e sim um padre da igreja católica. Como padre, ele trabalhava para as pessoas que precisavam de ajuda. Helinger se denomina não como terapeuta e sim como um curador de almas. Depois que deixou de ser padre, ele foi estudar várias linhas da psicologia para dar suporte ao seu trabalho. Em sua biografia, tem, pelo menos, oito linhas diferentes da psicologia. Autodidata, Helinger nunca fez cursos específicos de psicologia. Preferiu estudar sozinho, bebendo da própria fonte de sua experiência como padre, e como observador da alma humana. A partir daí, criou e sintetizou o que era chamado inicialmente de Constelações Familiares. Hoje, chamamos de constelações sistêmicas, pois, o método já se ampliou e se aplica também para outras atividades humanas e de auto desenvolvimento. Na área educacional, por exemplo, as constelações trabalham relações sistêmica  entre pais, alunos, professores, escola e sistema educacional. Outro exemplo é a aplicação do método sistêmico na área jurídica, que auxilia advogados, juízes – e outros profissionais da área – nas tomadas de decisões em relação direito. Na área organizacional, onde consultores, empresários e recursos humanos aplicam este método para trabalhar as questões nas instituições e empresas. Na área política, com líderes de nações trabalhando na reconciliações de povos e etnias. Na área da saúde, especialmente, tem os especialistas de doenças e sintomas. E na área clínica, método mais utilizado na área de saúde conhecido como constelações familiares. Nas constelações familiares são trabalhadas questões pessoais, que estão ligadas diretamente as questões familiares.

E porque damos os nomes aos sistemas de familiares, educacional, organizacional? Ao criar o método que explicita as questões, Helinger nomeou de emaranhamento. São questões ligadas a história e ao passado do sistema trabalhado. Por exemplo, o sistema de uma organização é a sua história e, também, a história de todos que estão ligados a ela.

Todos nós recebemos dois sistemas familiares quando nascemos: o sistema do pai e da mãe. Se considerarmos que nossos pais também receberam esses sistemas ao nascerem, imagine quantos sistemas estão atrás de nós, fazendo a nossa história. Mas não nos damos conta disso. Sabemos que recebemos força positiva e negativa de tudo aquilo que foi vivido antes na história dos nossos sistemas familiares. As positivas nos levam adiante, nos ajudam a seguir em frente. As negativas, que são os emaranhamentos, nos paralisam, às vezes nos impedem de seguir adiante como se nós encontrássemos muitos obstáculos pela frente. Isso se traduz em uma vida difícil. Pode ser uma sensação de estagnação, tristeza, ou que a vida não tem muita graça. Temos a sensação que damos um passo a frente e três para trás.

Tudo isso que pensamos que faz parte da nosso destino, muitas vezes, não é bem assim. Isso está ligado aos emaranhamentos da família que a gente pertence. Mas tudo isso fica no inconsciente, chamado de inconsciente coletivo e, na maior parte das vezes, desconhecemos essa informação. Bert Helinger diz que só 10% que a gente vive é por conta de nossas decisões. Os outros 90% a gente pensa que está decidindo mas, na verdade, a gente está decidindo por essas forças sistêmicas que atuam sobre nós. Por isso, Helinger colocava pessoas para representar a família do constelante e essas pessoas começavam a sentir e pensar como aquele que era representado. Inicialmente ele chamou isso de um fenômeno porque ele não entendia porque  acontecia. Mesmo que a ciência tradicional não saiba explicar como acontece, o fato é que acontece.

Hoje, a nova ciência já explica que todos nós temos essa sensibilidade no nosso corpo, chamados de nanoradares, localizado no nível celular. Esses nanoradares possibilitam captar essas informações sutis que estão no campo inconsciente. Todos nós temos essa possibilidade como representantes. Também é possível aplicar o método individualmente com bonequinhos, por exemplo, com playmobil. Algumas pessoas já experimentaram as constelações dessa maneira. É muito interessante perceber esse campo de informação do sistema – e que ele se manifesta através desses objetos. Basta nos abrirmos para receber as informações que chegam, através de bonecos, pedras, almofadas, e também, o método mais rico: através das pessoas.

Aqueles que são chamados para representar pegam “carona” na história da outra pessoa que está constelando. Por isso, neste trabalho, trabalhamos de uma maneira muito cooperativa. Existe a pessoa que vai colocar sua questão, as pessoas que vão se colocar como servidoras, representando, e as pessoas que vão assisti mas, na verdade, ela não vai assistir passivamente. Ela vai assistir sustentando esse campo. E com essa sustentação humana, o campo se aprofunda. É um trabalho cooperativo. Todos dão, todos recebem. Por isso é importante que pessoas que fazem parte do grupo, permaneçam no encontro até o final.

O trabalho de constelações sistêmicas se desenvolveu e ganhou força no mundo. No Brasil, chegou mais ou menos por volta de 2000. Bert Helinger vem sempre ao Brasil e faz grandes encontros propagando seus conhecimentos. Nós tivemos o privilégio de conhecer o criador de um método que no futuro vai ser visto com a importância que Freud tem hoje para a psicologia. Tamanha a importância desse método. É profundamente transformador, porque, quando trabalhamos com as questões que nos tocam, mas que não é de responsabilidade nossa, muitas vezes, estamos, por amor ou lealdade, ligados aos acontecimentos nefastos e ruins do passado. Mesmo que não saibamos disso. Ficamos ligados por essa lealdade, esse amor infantil, e deixamos de viver o nosso destino, aprisionados por essas forças negativas.

As constelações ajudam a desemaranhar essas questões. O emaranhamento é como se fosse um nó numa rede e ao desemaranhar, a pessoa fica mais livre para viver o destino dela. No mínimo, ela enxerga o seu sistema de uma maneira nova. E isso faz a transforma muito rapidamente. Por isso, as constelações tem uma resposta positiva e curativa muito rápida. E é por por essa razão que tem essa força no mundo todo. Por que as pessoas recebem o benefício de uma maneira muito rápida.

Helinger afirma ainda que uma constelação atua até três anos na vida e no sistema de uma pessoa. E, as vezes, são resultados sutis. É preciso observar para sacar o que aconteceu de diferente. Muitas vezes, a mudança é imediata. Existem pessoas que estão doentes há anos e, depois da constelação, se curam. E existem casos também em que a pessoa não consegue o obter resultados satisfatórios. Depende muito do quanto ela e o seu próprio sistema estão disponíveis para receber esta cura que acontece nas constelações.

Falando das ordens do amor, Helinger fala das 3 mais importantes ordens, pilares de sustentação do sistema. São valores espirituais. A primeira é o direito de pertencer. Todos que nascem em um sistema tem o direito de pertencer. A segunda é a precedência de quem chegou primeiro, ou seja, o respeito e a honra aos mais velhos . E por fim, a terceira: o equilíbrio entre o dar e o receber. Esses três valores importantes, quando são transgredidos, causam a desordem, que resultam no emaranhamento.  Nas constelações a gente busca essa desordem e busca a nova ordem. Uma boa solução para a questão.

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